“Audrey era conhecida por algo que desapareceu, e isso é elegância, graça e boas maneiras.” - Billy Wilder
Audrey Hepburn é um dos maiores ícones da moda do mundo. Famosa em sua própria vida e por décadas desde então, ela passou a incorporar uma aparência de elegância simples e sem esforço que se tornou atemporal. O icônico vestido preto que ela usou em Bonequinha de Luxo há mais de meio século ainda chamaria atenção hoje. Da mesma forma, o incrível vestido de baile mostrado em sua transformação em Sabrina não pareceria fora de lugar em um tapete vermelho hoje e ainda inspira muitos vestidos vintage de gala.
Audrey adorava moda, mas ela não se via como um ícone de estilo. Isso é mais óbvio em seu estilo casual e cotidiano, no qual ela evita o design glamouroso em busca de simplicidade. Mas ela também sabia o que a vestia bem e vestia para complementar e destacar sua beleza. Tão bonita como ela era, ela não era do tipo que usava um vestido de rockabilly ou pin up simplesmente porque era popular nos anos 50, já que eles não combinariam com seu visual. Que Audrey tenha sido celebrada em todo o mundo por, entre outras coisas, seu estilo icônico de moda não surpreende. Mas o que muitos podem não perceber (nós certamente não percebemos) é que, em muitos aspectos, Audrey era uma estranha quando chegou a Hollywood no início dos anos 50.
O ESTILO HEPBURN
Gamine e petite, com uma delicada estrutura óssea e uma figura muito esbelta: Audrey não se encaixava na aparência ideal dos anos 1950. Mas ela tinha uma ideia do que combinava com ela. Basta olhar para seus looks e como resultado, seu estilo elegante e minimalista tornou-se icônico.
Audrey é um ícone da moda atemporal, amado e imitado até hoje. Então, vamos ver como ela conseguiu seu senso de estilo, seu relacionamento integral com a designer Givenchy (que criou alguns de seus mais distintos vestidos dos anos 50), alguns de seus desafios de estilo e, finalmente, alguns de seus principais looks.
A VIDA DE AUDREY
Audrey nasceu em Bruxelas em 1929. Seu pai era britânico e sua mãe era uma baronesa holandesa. Ela passou sua infância entre a Bélgica, Inglaterra e Holanda. Ela estudou balé por muitos anos, no entanto, por conta de sua altura precisou deixar o balé e passou a participar do coro no teatro musical antes de se encontrar na atuação.
Seus primeiros anos foram marcados por dificuldades que a afetariam pelo resto de sua vida. Ela estava morando na Holanda quando foi ocupada pelos nazistas de 1940 a 1945. Durante esse período, ela apoiou a Resistência se apresentando em espetáculos de dança para arrecadar dinheiro.
No final da guerra, os alemães retiveram as rações deixando o povo holandês para morrer de fome. A desnutrição que sofreu nesse período levou a muitos problemas de saúde e, posteriormente, a uma relação complexa com a comida.
NASCE UMA ESTRELA
O primeiro grande sucesso de Audrey Hepburn como atriz foi em A Princesa e o Plebeu, em 1953. O ideal feminino na época era representado por Marilyn Monroe, Grace Kelly, Elizabeth Taylor e Sophia Loren. Essas estrelas cheias de curvas e glamourosas estavam a anos-luz da elegância discreta de Audrey. Seus sumptuosos vestidos e saltos dos anos 50 não eram um look viável para muitas mulheres, e o visual de Audrey era uma alternativa. Ela representava um estilo mais elegante e descomplicado que parecia quase real, assim como seu papel-título em Roman Holiday. Ela era, é claro, filha de uma baronesa, embora as condições em que crescesse não fossem nada aristocráticas. Mas foi o calor pessoal e charme de Audrey e sua maneira realista que tornaram seu estilo ao mesmo tempo icônico e acessível.
A MODA DA PRINCESA
Seu estilo em A Princesa e o Plebeu era simples: uma camisa branca, uma saia comprida presa com um cinto na cintura e um lenço listrado amarrado no pescoço. De alguma forma, toda a roupa se une de uma forma adorável. Um look bem anos 50 - a camisa com botões e de gola V, a saia cheia e longa, as mangas da camisa dobrada e um cinto acentua a cintura (incrivelmente pequena) de Audrey. Ela não usa nenhuma joia e seus sapatos são sandálias de estilo romano (claro!). A silhueta é clássica dos anos 50 e é uma silhueta também vista em muitos vestidos vintage da época. Embora, claro, sem os toques pessoais de Audrey.
É claro que o que nós pensamos como vestidos vintage agora foram criados na época em grande parte pelos designers da moda, deixando sua marca na década. Designers consagrados como Christian Dior, Hubert Givenchy e famosos designers de estúdio de Hollywood como Edith Head, assumiram a tarefa de vestir Audrey para seu papel em A Princesa e o Plebeu.
EDITH HEAD
O crédito pelo visual de Audrey em seu primeiro papel é de Edith Head, que desenhou os figurinos para o filme. Mas a maior parceria de Audrey começou em seu segundo filme, Sabrina. Foi em preparação para o filme que ela conheceu o designer francês Hubert de Givenchy, que iria desempenhar um papel importante no estilo de Audrey, cujas criações inspirariam muitos dos modernos vestidos retrô de hoje.
GIVENCHY
Audrey voou para Paris para conhecer o estilista frânces quando ainda era uma desconhecida, tendo acabado de filmar A Princesa e o Plebeu, seu primeiro papel em Hollywood (o filme ainda seria lançado na Europa). Na verdade, quando Givenchy foi se encontrar com Audrey pela primeira vez, tendo sido informado de que ele se encontraria com a Sra. Hepburn, ele naturalmente supôs que se encontraria com Katherine Hepburn.
Apesar deste pequeno engano, esse foi o início de uma longa colaboração e uma grande amizade. Givenchy tornou-se uma influência significativa no estilo de Audrey dentro e fora da tela. Vestiu-a para Sabrina (1954 - embora oficialmente o crédito tenha sido dado a Edith Head), Um Amor na Tarde (1957), Bonequinha de Luxo (1961), Cinderela em Paris (1957), Charada (1963), Quando Paris Alucina e Como Roubar um Milhão de Dólares (1966). Mas ele também a vestiu para sua vida real.
Givenchy disse à Vanity Fair que sempre a considerou sua irmã. Em relação ao estilo de Audrey, ele disse que ela sempre teve uma ideia clara do que queria. “Audrey sempre acrescentava um toque, algo picante, divertido às roupas. Embora, é claro, eu a tenha aconselhado, ela sabia exatamente o que queria. Ela se conhecia muito bem. Ela era muito profissional”
.
INFLUÊNCIAS E LOOKS CLÁSSICOS
A outra grande influência que moldava o estilo de Audrey era seu físico de bailarina. Audrey veio do balé clássico e sempre foi muito magra, porém, ao invés de deixar isso ser um obstáculo, ela se vestia de forma a destacar suas melhores características, muitas vezes vestindo roupas que se adequavam mais a esta estética. Ela era a antítese da aparência voluptuosa e curvilínea dos anos 1950, tão popularizada por estrelas como Marilyn Monroe, Jayne Mansfield ou Gina Lollobrigida. Ao invés de tentar competir, sabendo que ela tinha um corpo muito diferente, ela resistiu à tentação de imitar esse estilo, optando pelo seu próprio visual - do corte de cabelo até as sapatilhas.
O CLÁSSICO TUBINHO PRETO
No entanto, o visual mais icônico de Audrey é sem dúvida o de Holly Golightly em Bonequinha de Luxo. A imagem icônica consiste em Audrey em seu vestido preto clássico e elegante da Givenchy, enquanto ela admira as vitrines da loja de joias Tiffany's. Não seria exagero dizer que Audrey Hepburn, quase sozinha, reacendeu a tendência moderna do tubinho preto. A imagem dela nesse vestido preto é de elegância clássica e discreta, então não é de admirar que essa imagem tenha ajudado a lançar o vestido preto como uma categoria de estilo própria para mulheres de todo o mundo.
Há muito mais a ser dito sobre o estilo adorável de Audrey. Mas talvez a melhor maneira de mostrar isso seja olhar para alguns de seus looks icônicos ao longo das décadas. Em resumo, Audrey é atemporal.








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