Hoje, no teu beijo, senti um pouco de
medo. Não que não tenha sido bom, pelo o contrário. Mas parecia ser o último,
sabe? Sei lá. Talvez tenha sido apenas coisa da minha cabeça. Alguns medos meus
sempre surgem assim, em momentos de felicidade. Acho que é receio de que tudo
seja apenas momentâneo. Eu sei, eu sei, você sempre me diz que às vezes eu deveria pensar menos e
viver mais. E eu tenho vontade de fazer isso, mas aí eu lembro o que você me disse:
que tem medo de me amar. E isso acaba com a minha coragem, fico com medo
de mergulhar nessa e ficar lá, sozinha, naufragando. Por mais que eu
saiba que é preciso se arriscar e que a graça nunca está na superfície, não me
faça mergulhar se você não estiver disposto a fazer o mesmo.
Depois de viver tantas coisas e de
passar por momentos tão intensos, porém breves, todos nós acabamos ficando com
medo de ser feliz. É normal. Ficamos acostumados com as decepções. Mas, por mais clichê
que pareça, o amor é necessário; mesmo com a vida sendo tão
imprevisível como é. Só te peço, então, que tente. Lembre-se como foi divertido
passar a tarde rindo de besteiras; dando beijos sem motivos – são os melhores –
e descobrindo esse sentimento de calmaria e companheirismo, que é tão simples,
mas se faz tão importante. Isso é apenas um pedaço do que poderíamos
ter se você me deixasse entrar. Gosto de ti e te quero por perto. Se
entregue devagar. Sem pressa. Dia após dia. Deixe o amor voltar. Deixe a porta aberta para
a oportunidade. Não tenha medo de ser feliz novamente. Não tenha medo
de me fazer feliz. Quem sabe assim, possamos aprender juntos, a
mergulhar?

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