Serei bem sincera, estudar jornalismo não era a minha primeira
opção. Sempre, desde pequenina, quis ser atriz. Amava as luzes, as roupas, a
ideia de viver outras vidas e por aí vai. Estudei teatro por dois anos e estava
mais do que certa do que faria quando chegasse a fatídica hora de escolher a
faculdade: cursaria Artes Cênicas na Faculdade Paulista de Artes – FPA, em São
Paulo. Mas, como sempre digo, nem sempre as coisas saem como planejado. Vários
fatores interferiram nesse plano, desde empregos que ocupavam todo o meu tempo,
até a falta de dinheiro, o que acabou resultando em um grande dilema: o que raios
eu vou fazer da minha vida? Estava com 18 anos na época, já havia me formado no
Ensino Médio há mais de um ano e meus pais já começavam a me questionar sobre o
assunto, já que eu era a única entre meus amigos de infância, que ainda não
tinha iniciado a faculdade.
Sendo assim escolhi, entre as duas faculdades que existem na
minha cidade, a que mais me agradava e comecei a caça pelo curso perfeito.
Preciso confessar que o primeiro passo foi eliminar absolutamente TUDO o que
envolvia cálculo. Sim, sou de humanas desde pequena e nunca me dei bem com nada
que envolvesse números. Sempre me identifiquei – e me dei bem- com artes,
história e principalmente, português. Minhas melhores notas sempre vinham de
redações e trabalhos que exigiam pesquisa e aprofundamento em alguma história,
leia-se trabalhos que envolviam livros.
Foi aí que uma vozinha surgiu na minha cabeça e sussurrou:
- “Escolhe o jornalismo. ”
E foi assim que essa profissão surgiu em minha vida. No começo
foi complicado. Não porque o curso era difícil, longe disso, levava de letra,
mas não me identificava tanto quanto achei que fosse acontecer. No fundo,
acredito que não entendia a essência da profissão. É, com certeza era por isso.
Agora, no terceiro e penúltimo ano da faculdade, posso dizer,
com toda a certeza do mundo, que amo a profissão que escolhi para mim e consigo
enxergar toda a beleza que existe por trás de toda a correria. Quero
desempenhar um papel importante na sociedade, fazer minha parte no mundo. Quero
fazer com que as pessoas pensem, discutam e questionem sobre tudo que às
cercam.
Em retrospecto, é impossível negar que eu eventualmente me
envolveria com algo relacionado à comunicação. Aprendi a ler e a escrever antes
mesmo de entrar na escola, com cinco anos. Influência da minha mãe, professora.
Li todos os gibis da Turma da Mônica que tinha na minha casa, quando nem sabia ainda,
como interpretar aquelas histórias. Sempre senti a necessidade de escrever, nem
que fossem bilhetinhos para as amigas da escola. Mas o principal, que me fez
olhar e dizer: “é esse! ”, foi o fato de que essa profissão, não me impede de
fazer nada. Isso mesmo. Posso tratar de assuntos que amo ou que não amo tanto,
mas ainda assim, aprender com eles. Quem me conhece, sabe que sou apaixonada
por filmes, séries, livros e diversos outros assuntos, que tenho como retratar
sendo jornalista. Posso fazer minha pós em redes sociais ou até mesmo em artes
cênicas, porque não? As duas faculdades têm o mesmo objetivo: ver a vida pelos
olhos de outras pessoas.
“Quando vamos te ver no
Jornal Nacional? ” Sinto muito decepcionar,
mas, se depender de mim, nunca. Esqueçam televisão e rádio, o meu negócio é
escrever. Acho mágico como algumas palavras, as vezes insignificantes quando
separadas, podem formar pensamentos quando colocadas lado a lado.
Ser jornalista não é fácil. Muito trabalho, pouco dinheiro. Dormir?
Esquece. É uma correria danada atrás de pauta, entrevistados e por aí vai. Mas
sinceramente, teria graça se a vida fosse fácil? A batalha, a luta, essas são
as coisas pelas quais teremos orgulho quando conquistarmos nossos objetivos lá
na frente.
Em resumo, não desanima se a primeira opção não sair como o
planejado. Segue em frente que você ainda tem o plano B, C, D, E por aí vai.

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