Sempre tive o coração mole. Pois é, não parece. Eu sei. Mas sempre fui a menina romântica do grupo, aquela que adora - e chora - com chick lits e músicas do estilo Sam Smith. Claro, com o tempo cresci e após alguns sofrimentos, amadureci. Mas acho que nunca endureci. Tentei, mas não rolou. Continuo insistindo na ideia de me apegar e me entregar ao menor sinal de reciprocidade, porque no final, não importa se será duradouro ou não, só importa que eu vivi aquele momento da melhor forma possível e, preciso dizer, sempre gostei de demonstrações verdadeiras de afeto.
Gostar de alguém sempre me fez bem. Não confunda com dependência, longe disso, mas o sentimento me inspira. Me deixa mais alegre e apaixonada pela vida. Confesso, nunca vi a mínima graça, nem sentido, em ficar por ficar. Ficar com pessoas estranhas, com as quais eu não tenho afinidade e nunca conversei profundamente. Sempre senti dificuldade em me adaptar a essa fluidez das relações modernas. Nada contra os beijos sem compromisso e os amassos espontâneos, admito que eles já fizeram, sim, bastante sentido quando senti que precisava de liberdade e queria me descobrir.
A única coisa que realmente me incomoda em meio à essas relações, é o desprezo aos sentimentos alheios, como se, quem consegue ficar com alguém sem se apegar, estivesse em um nível superior aos demais. Uma grande vantagem sobre aqueles que não separam tão bem a paixão, do tesão. Ter sentimentos, não é defeito de fabricação. Pra que tratá-los como tal?
"Mal começaram a conversar e você já está toda boba?"; "Eu avisei. Se apegou rápido demais. Ninguém mandou ser trouxa".
Me recuso a acreditar nessa verdade que afirma que quem ama demais, é trouxa. Trouxa não deveria ser quem não sabe amar? Quem nem se abre para o sentimento? Me recuso a chamar de trouxa as pessoas que, como eu, não sabem lidar com relações robóticas, onde há um manual a ser seguido.
É preciso entender que as pessoas são complexas demais para serem definidas como A ou B. Não significa que quem tem a habilidade de "pegar sem se apegar" seja autossuficiente e, quem se entrega puramente ao amor e à paixão, seja trouxa. O amor é sentido - e demonstrado - de diferentes formas. Sem rótulos.
Reprimir os sentimentos por medo de demonstrar fraqueza, é reprimir a beleza de quem mesmo em meio à tanta frieza, insiste em manter o coração aquecido pela paixão.

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