A poesia está nos
olhos de quem vê
Sentada
em uma pedra à beira-mar, contemplando a paisagem à minha frente, percebi que
às vezes a beleza está nos pequenos detalhes do dia-a-dia, que muitas vezes só
percebemos ao sair de nossa zona de conforto.
Claro,
o sol, as ondas, tudo isso deixa essa imagem muito mais bonita, mas assistir as
crianças encantadas ao conhecer o mar, pisando na areia fofa pela primeira vez,
ou assistir ao casal de idosos que andam de mãos dadas pela praia como se
estivessem no primeiro encontro e não juntos há 45 anos, transformam esses
pequenos momentos de contemplação, em poesia.
As
cenas mais banais como uma mãe que abraça o filho ao deixá-lo na escola; amigos
dançando e bebendo em uma noite de luzes baixas e música alta ou um casal que
se despede com um beijo na testa no aeroporto, podem ser melhores do que um
poema de Drummond, pois as cenas mais banais tornam-se poesia aos olhos de quem
sabe ler.
Somos
feitos de trivialidades. Beijos na testa. Chocolates recebidos anonimamente.
Ingressos de cinema guardados como tesouro. Olhares trocados timidamente.
Sorrisos correspondidos no silêncio. Mensagens trocadas por whatsapp. Momentos
simples, eternizados em nossa memória.
Do
outro lado da cidade, algumas centenas de casais estão brigando. Enquanto
outros estão fazendo as pazes. Em algum lugar, alguém está sozinho em casa,
escolhendo algo para assistir na Netflix. Enquanto um outro alguém se arruma
para aproveitar a agitação da noite de São Paulo. E enquanto tudo isso acontece
à minha volta, eu estou aqui. Sentada em uma pedra à beira mar, contemplando a
paisagem apenas com o barulho do vento, do mar e dos meus pensamentos. Se isso não é poesia, o que mais pode ser?

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